Uma avalanche devastadora atingiu o Nepal na quarta-feira (26), deixando mortos e centenas de desaparecidos, em um dos piores desastres naturais da região na última década. O evento, registrado na fronteira entre o Nepal e o Tibete, surpreendeu moradores do vale do rio Trishuli, área turística e cercada por algumas das mais imponentes montanhas do planeta, como o Everest. Segundo a Agência Nacional de Desastres do Nepal, toneladas de gelo, neve e rochas desabaram em alta velocidade, arrastando tudo à sua frente e provocando o descontrole de uma cadeia de eventos: represamento do curso d'água, formação de uma barragem natural e, posteriormente, a liberação violenta de uma onda de lama e detritos que destruiu vilarejos inteiros.
Como a tragédia tomou forma
Especialistas ouvidos por veículos internacionais e brasileiros analisaram imagens e dados oficiais, chegando a um consenso sobre o efeito em cadeia do desastre. A análise de imagens de satélite, como as disponibilizadas pela Planet Labs, mostra uma mudança brusca no cenário: áreas verdes soterradas por sedimentos marrons e detritos. Vikram Gupta, geólogo de engenharia da Universidade de Sikkim, relatou que parte da geleira colapsou, levando consigo uma quantidade expressiva de rochas e gelo. O professor Dan Shugar, da Universidade de Calgary, destacou o derretimento acelerado da neve nas últimas 24 horas, provavelmente por temperaturas elevadas. O volume de água armazenada nas camadas das geleiras, combinado ao período de monções (chuvas intensas), compôs um cenário propício para a avalanche e a consequente cheia repentina.
Por que isso importa
O caso do Nepal é um exemplo trágico de como eventos naturais podem se intensificar por uma combinação de fatores ambientais e climáticos. Chuvas persistentes nos dias anteriores aumentaram ainda mais o volume de água nas geleiras. O acúmulo de água transbordou devido à avalanche e formou uma barreira natural no rio Trishuli. Quando a pressão sobre essa barragem atingiu o limite, a água rompeu, descendo o vale com força destrutiva, encobriu vilarejos e deixou moradores sem tempo de fuga. Especialistas brasileiros, como Aderson Farias da UFRN e Pedro Camarinha do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, ressaltam que tragédias desse tipo são difíceis de prever com antecedência, principalmente em regiões montanhosas e com monitoramento limitado.
O que vem a seguir
A tragédia no Nepal alerta para a necessidade de sistemas de alerta mais eficazes em regiões vulneráveis a desastres naturais, especialmente com as mudanças climáticas aumentando a frequência de eventos extremos. O estudo desses episódios, inclusive a partir do Brasil, contribui para avanços em monitoramento, resposta rápida e redução de riscos em áreas de montanha, como já ocorre em parte dos Andes e na Serra da Mantiqueira. A cooperação internacional pode fortalecer estratégias de prevenção e proteção a populações em risco. Fique por dentro das últimas notícias do Brasil e do mundo acompanhando amazonclimate.live.
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