Em julho de 2026, os oceanos do planeta registraram o segundo mês consecutivo de temperaturas recordes na superfície, segundo relatório do Serviço Copernicus, da União Europeia, divulgado nesta segunda-feira (10). A marca histórica de 20,96°C foi impulsionada principalmente pelo fenômeno El Niño e pelas mudanças climáticas em curso.

Impacto do El Niño nas temperaturas oceânicas

O El Niño é um evento climático cíclico caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico tropical. Segundo cientistas do Copernicus, as atuais condições do El Niño já contribuem para a elevação sem precedentes das temperaturas nos mares, o que pode intensificar eventos climáticos extremos até 2027.

Além do Pacífico tropical, o aquecimento também foi expressivo em torno da Europa, que enfrentou ondas de calor marítimo severas e recordes no Atlântico e no Mar Mediterrâneo. Essas condições alteram o clima não só nas regiões costeiras, mas afetam toda a dinâmica climática global.

Consequências na Europa e reflexos globais

O mês de julho foi marcado por calor extremo no oeste europeu, onde a atmosfera atingiu a média de 21,62°C, superando em 2,79°C a média de referência. Países como Inglaterra, Irlanda, Espanha e França registraram os verões mais quentes de suas histórias recentes. Na França, julho foi o mês mais quente desde o início das medições, em 1900, segundo o serviço meteorológico nacional.

A seca atinge níveis críticos em países como Itália, Suíça e Alemanha, prejudicando rios importantes como Sena, Reno e Danúbio. O baixo nível dos rios já impacta a navegação e encarece o transporte de mercadorias essenciais. Dragas alemãs operam com apenas 20% da capacidade normal, enquanto as autoridades flexibilizam regras para o transporte rodoviário de cargas.

Estudo do World Weather Attribution , coordenado por pesquisadores do Imperial College de Londres, confirma que as ondas de calor atuais teriam sido improváveis há 50 anos. O avanço das temperaturas é atribuído ao aquecimento global em função da queima de combustíveis fósseis e ao comportamento anômalo dos oceanos, e a Europa tem se mostrado o continente com maior ritmo de elevação térmica.

Ondas de calor, incêndios e qualidade do ar

As mudanças climáticas favorecem condições de seca e calor, intensificando incêndios florestais em países do sul da Europa. Laurence Rouil, diretora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), alerta para os impactos desses incêndios, que têm elevado potencial de espalhar fumaça por toda a região, prejudicando a qualidade do ar.

No cenário global, julho de 2026 apresenta um valor de 16,9°C de média mundial, 1,47°C acima do período pré-industrial (1850–1900). O limite de aquecimento de 1,5°C do Acordo de Paris pode ser ultrapassado ainda nesta década, preocupando cientistas e autoridades.

Reflexos no Brasil e América do Sul

O relatório do Copernicus destaca que, embora partes da América do Sul, como Argentina, Uruguai e Bolívia, vivam secas severas, o Sul do Brasil apresentou umidade acima da média para o período. O estado do Rio Grande do Sul, em especial, enfrentou tempestades e tornados em agosto, efeitos associados diretamente ao El Niño. Meteorologistas já confirmam a influência do fenômeno no clima brasileiro, especialmente em eventos extremos.

O aquecimento dos oceanos traz impactos tanto para o clima quanto para ecossistemas costeiros e populações que deles dependem, ressaltando a urgência de ações para mitigar as mudanças climáticas.

Para mais informações sobre o clima e as mudanças nos oceanos, acompanhe as atualizações em amazonclimate.live

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