O desmatamento na Amazônia brasileira registrou uma queda de 37% nos últimos doze meses, atingindo o menor índice dos últimos dez anos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (07/08) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Entre agosto de 2025 e julho de 2026, foram desmatados 2.874 km² da floresta amazônica no território brasileiro, dado que representa uma redução significativa em relação ao período anterior, que chegou próximo dos 4,5 mil km².

Dados consolidados do INPE indicam avanço histórico

A diminuição é a mais expressiva desde o início do atual formato de monitoramento por satélite, iniciado em 2016. Segundo o INPE, o índice atual ficou 55,6% abaixo da média dos últimos dez anos (ciclos de 2015/2016 a 2024/2025), reforçando uma tendência de recuo do desmatamento desde o pico de 10.278 km² atingido em 2022.

Pará e Mato Grosso lideram os alertas, mas apresentam reduções

O estado do Pará, sede da COP30 em 2025, concentrou a maior área sob alerta, com 987 km² desmatados — ainda assim, houve redução de 25,5% no ritmo anual. Logo atrás está o Mato Grosso, com 834 km² sob alerta de desmatamento, queda de impressionantes 49% frente ao ciclo anterior.

No bioma Cerrado, também houve uma queda relevante: entre agosto de 2025 e julho de 2026, os alertas de desmatamento totalizaram 5.119 km², o menor patamar dos últimos cinco anos e 7,8% inferior ao período anterior.

Lula reforça promessa de desmatamento zero até 2030

Durante o anúncio oficial dos dados, realizado na sede do INPE em São José dos Campos (SP), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu o trabalho dos técnicos e reiterou o compromisso de atingir o desmatamento zero na Amazônia até 2030. "Se mantivermos o ritmo, com seriedade e recursos adequados, podemos alcançar essa meta histórica", declarou Lula. O presidente ressaltou ainda a importância da ciência e criticou países que negam mudanças climáticas, citando declarações do ex-presidente norte-americano Donald Trump na ONU.

Dados são preliminares, números finais serão divulgados em novembro

Os indicadores recém-divulgados têm base no sistema de satélite DETER, utilizado para alertas rápidos. Os números finais e mais detalhados, apurados pelo sistema PRODES, só serão publicados em novembro, mas a tendência já é vista como positiva por especialistas.

Perspectivas e próximos passos

A queda do desmatamento é comemorada por ambientalistas, mas desafios persistem. Manter e aprofundar as políticas de combate ao desmate será fundamental para consolidar a recuperação da floresta e garantir o cumprimento das metas climáticas. O próximo ciclo de monitoramento, com a divulgação dos resultados finais do PRODES, será decisivo para confirmar a tendência de queda.

Fique por dentro das últimas notícias sobre o clima e o meio ambiente em amazonclimate.live

Video